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21 de Outubro de 2006

O Lamaçal



assunto: obras de saneamento
data: Setembro-Outubro 2006
localização: Rua da Quintela, Argivai (1)



Do meu local de trabalho tenho o privilégio de apreciar esta paisagem.
De bucolismo e mansidão - para cortar o ruidismo urbano da Póvoa, principalmente na época balnear - não me posso queixar.
A zona é tão bucólica que não faltam os fios telefónicos e de alta tensão para pouso dos passarinhos.

À esquerda desta bouça ficam os Arcos.





Relíquia do Aqueduto do Real Mosteiro de Santa Clara (2), obra românica construída nos séculos XVII-XVIII que transportava a água de uma fonte em Terroso (Póvoa de Varzim) até ao Convento de Santa Clara em Vila do Conde.

Grande parte dos 999 Arcos originais estão ainda intactos mas a necessitar, em determinados pontos, de obras urgentes de conservação – que não na zona onde estamos, uma das mais bem conservadas. Voltaremos noutra altura a este assunto.

Aumentando a profundidade da imagem temos isto:




legenda:
1 – Restaurante
2 – Residência
3 – Pequena quinta
4 - Residência

IV séculos depois da construção do Aqueduto desventrou-se a rua para instalação do saneamento básico público. Lá que é obra meritória e essencial, suponho que ninguém discorda.
Para que saibam os mais desinformados, esta situação – inexistência de saneamento básico – não é virgem no Portugal do século XXI.

O busílis não é a obra em si.

É isto:





Um lamaçal por onde as pessoas são obrigadas a patinar.
Estas fotos foram tiradas nos dias 18 e 19 de Outubro de 2006, altura em que as obras estiveram paradas mas em que a constância e intensidade das chuvas foi elevada.
E não adianta falar em alternativa, uma vez que a mais curta (para fora da zona em causa) faz-se por uma volta à bouça apresentada acima, num percurso estimado em cerca de 1.000 metros.


O Restaurante e a residência (no piso superior) possuem uma entrada lateral que pode ser livremente utilizada pelos seus proprietários e pelos clientes do Restaurante. Já não acontece o mesmo para quem vem das restantes posições - 3, 4 e adjacentes.

Esta quinta tem também uma entrada lateral pela rua transversal.
O problema põe-se para o acesso a partir de uma empresa de comercialização de mobiliário, situada à esquerda da posição 4, propriedade dos donos da quinta (e seus empregados – mormente no acesso ao camião de transporte que é ali guardado).


Este portão dá acesso a uma moradia onde residem várias famílias.
Não existe outra entrada. Os moradores não têm acesso ao restaurante sem utilizarem o desvio referido acima. Têm, no entanto, o problema de entrada e saída da residência. Não há hipótese de o fazer sem pisar o lamaçal.

Concluindo, pretende-se clamar pelo seguinte:

Ninguém, da autarquia ou do executante da obra, teve a hombridade – ou a gentileza – de colocar passadiços (passadeiras de cascalho ou entulho seria, até, o suficiente) para permitir o trânsito de pessoas, pelo menos durante os dias em que a obra esteve parada.

Assim se fica a saber o que certos indivíduos e entidades pensam do tratamento que é devido à PESSOA.


Admário Costa Lindo



Algumas Observações sobre o que é afirmado nas páginas a que se referem os links colocados:

(1)
Costumavam as gentes da Póvoa e circunvizinhas ir a Argivai para um dia de lazer numa espécie de regresso às origens”. Costumavam, diz-se bem, porque o piquenique da “Festa da Hera”… já era.
Algumas famílias ainda se mantêm fieis à tradição…” Na realidade não mais de meia dúzia, se tanto (não há lugar para mais), não por qualquer razão estapafúrdia mas porque o perímetro de campos e bouças utilizado para o piquenique foi abrupta e definitivamente decapitado pela construção da Variante de acesso ao IC1 (hoje auto-estrada A28).

(2)
Por exemplo, na freguesia de Argivai, restam apenas as aduelas dos antigos arcos dentro de uma propriedade;”
Esta informação é incorrecta. Pensamos que se trata de uma redacção inadequada da ideia que se pretende transmitir, uma vez que o que se descreve é apenas uma situação particular.
Com efeito a freguesia de Argivai é, na sua totalidade, atravessada por Arcos mais ou menos sequentes.

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